Dia 6
Hoje foi o Memorial Day do pai do Neil. Agrada-me esta nuance de celebrar a vida da pessoa em vez de se chorar a falta do ente
querido. Neste dia, como celebracao, convidam-se os familiares e as pessoas mais chegadas a familia, e organiza-se uma festa. Existiam varias mesas espalhadas pela casa, jardim e garagem com as coisas que a pessoa mais gostava de comer. Em cada uma das mesas havia um topic
o: alimentos frios preferidos, alimentos quentes preferidos, doces preferidos, bebidas preferidas… Dentro de casa havia uma mesa com flores, e fotos que marcaram alguns dos momentos mais importantes da familia. Haviam tambem umas cartas pessoais com dedicatorias para cada elemento. E foi oferecido a cada convidado um CD com as musicas preferidas e uma explicacao sobre a influencia de cada uma delas.
Os familiares comecaram a chegar as 12h e alguns trouxeram algumas comidas para preencher ainda mais as mesas. Depois de terem chegado todos os convidados o grupo formava um total de 40 pessoas. O que vale e que a casa e espacosa. A maioria ficou na sala de estar a ver o futebol americano, que passa todos os sabados na televisao, e o big day dos americanos, quando os varios estados competem uns com os outros durante todo o dia. So se levantam dos sofás quando os jogos acabam (that explains a lot…). O meu americano ficou encarregado da fritura de uns pasteis alemaes feitos com carne. Nao podiam ser fritos de uma vez, porque ao que parece nao e a mesma coisa e perde a consistencia, por isso ele teve que ficar de plantao a espera que alguem quisesse provar o pastelito e frita-lo na hora. Team work : eu a estender a massa dos pastelitos na cozinha. Ah pois e… Armada em cozinheira, trufas, vai buscar. Nunca devia de ter pronunciado a frase “Precisam de ajuda?”, e nao e que precisavam mesmo? Entao la andei a maior parte do tempo da cozinha para a garagem com a bandeja dos “pasteles” para a fritura. E que ainda por cima quiseram todos provar a iguaria! O mano grande tambem ficou na garagem a tomar conta do barbecue, entao gerou-se uma senhora dona fumarada com a mistura da fritura do pastel e a agravante de uma chuvita que decidiu aparecer por la. A mae americana tambem andava busy de um lado para o outro, a preparar outras iguarias de ultima hora, e a controlar a casa cheia. Alguns amigos e vizinhos tambem se juntaram, e apareceram so para a paparoca, que e como quem diz para dar mais trabalho, pois acharam a ideia dos pasteis alemaes muito interessante. O que vale e que entre o esticar a massa e o transportar a bandeja la consegui comer alguma coisita. Alguma coisita mesmo!!, porque a maioria era carne! Entao debrucei-me na salada de batata, nas batatas fritas e nas tiras de milho com um molho duvidoso – sim nao basta so a tiras de milho serem ja
por si gordurosas que se fartam que aquela gente ainda lhes junta molho. Whatever, a fome ja apertava. Depois ainda ataquei no bolo como sobremesa . Alias… mais do que um, mas vamos por partes. O bolo preferido do pai do Neil consistia em duas camadas gigantescas de bolo de chocolate, com recheio de doce de laranja mas mais esponjoso (algo que se chama orange frosting que eu nao sei traduzir) e doce de marshmallows com nozes, com cobertura do mesmo doce de laranja. Tasty huh? Alem deste bolo de meia tonelada, ainda comi um cheesecake fantástico com toping de cerejas em calda, e brownies. Tudo home made pela “mom”. Claro que pelo meio ainda comi umas bolachitas, oreo e afins. Nao tinha muitas hipoteses de alimentacao, porque as refeicoes preferidas eram basicamente carne : hamburgueres, hot dogs, meat loaf, almondegas. Refugiei-me entao na “bubida”, e depois de algumas gasosas, mergulhei no whisky com gasosa (uma cena típica la de casa) e no belo do rose chamado … Lancers! Wow, o senhor tinha bom gosto, entao nao e que la fui encontrar uma vinhaca portuguesa no meio de uma vila nos States? E o que dizem, ha sempre um portugues em todo o lado, e se nao for um tuga, e algo que vem de Portugal! Enaaaa.
As conversas foram interessantes na sua maioria. Isto quando de facto entendía o que me diziam… Nao e fácil.”Ah e tal, aprendi a falar ingles no 5º ano, e a partir dai tive sempre aulas de ingles, estou muito familiarizada com a lingua.” Ta bem ta! Experimentem la falar com os nativos para verem que nao e pera doce. Bolas! E as conversas entendem-se assim :” …. I …. udhdd ….living … uihgfmndbsd nirfbdfjnf… Canada … miuthdbfn … years … mnuysb … You …gyrbshf… enjoying…xcvebv… States?” E tipo um puzzle, e preciso e ter muita atencao as palavras escondidas, porque e nelas que residem as verdadeiras palavras, e o resto da conversa e palha … acho… Ao que se responde so aquilo que se consegue entender, que nem sempre e muito, e depois de se dar a resposta cruzam-se os dedos com esperanca de que de facto se deu a resposta certa a pergunta errada. Por vezes, a resposta nao corresponde com a pergunta. Ora bem, como sair deste tipo de situacoes? Aquí vai uma dica para se sair airosamente quando esta tudo a olhar para nos, a pensarem “a miuda tem problemas … tadita” : smiiiiiiiiile. O melhor e mesmo olharem com aquela carinha de quem nao faz mal a uma mosca, e esbocarem um sorriso suuuuuuper luminoso, para que fiquem ofuscados e se esquecam da resposta mal dada. A partir dai tem que mudar automaticamente o curso da conversa e falem de outra coisa qualquer, tipo “Olhem ali um elefante voador” – se forem americanos acreditam e olham. Ou entao fingem que ouviram alguem chamar pelo vosso nome e desaparecem, mas cuidado, nunca voltem, isso pode trazer repercusoes.
Sentei-me numa cadeira de praia dentro da garagem virada para o jardim, que tornou-se no meeting point porque estava-se agradavel e era la que estava a paparoca. E entao entre o barbecue, as frituras, e a bebida, la fiquei com as idas e vidas dos que passavam por la para explorarem mais um pouco a portuguesa, e saber se eu estava a gostar de tudo, e la continuavam a cantilena enquanto comiam e ate haviam mesmo pessoas que sabiam mesmo onde ficava Portugal. Alguns ate se emocionaram e foram-me os parabens por umas coisitas que escrevi, e que a “mom” gostou tanto e emoldurou, e andou a mostrar a alguns para lerem. Convidaram-me para as casas deles, que ao que parece sao upa upa casaroes. Contaram-me algumas historias de vidas, quiseram saber como e Portugal, quais os habitos e como se vive, como superaram fases mas e como aproveitam as fases boas, como e viver nos States, e como alguns sonham em experimentar morar noutros sitios … O mundo as vezes esta mesmo ao contrario… Ou será que nos e que estamos?...
Hoje foi o Memorial Day do pai do Neil. Agrada-me esta nuance de celebrar a vida da pessoa em vez de se chorar a falta do ente
Os familiares comecaram a chegar as 12h e alguns trouxeram algumas comidas para preencher ainda mais as mesas. Depois de terem chegado todos os convidados o grupo formava um total de 40 pessoas. O que vale e que a casa e espacosa. A maioria ficou na sala de estar a ver o futebol americano, que passa todos os sabados na televisao, e o big day dos americanos, quando os varios estados competem uns com os outros durante todo o dia. So se levantam dos sofás quando os jogos acabam (that explains a lot…). O meu americano ficou encarregado da fritura de uns pasteis alemaes feitos com carne. Nao podiam ser fritos de uma vez, porque ao que parece nao e a mesma coisa e perde a consistencia, por isso ele teve que ficar de plantao a espera que alguem quisesse provar o pastelito e frita-lo na hora. Team work : eu a estender a massa dos pastelitos na cozinha. Ah pois e… Armada em cozinheira, trufas, vai buscar. Nunca devia de ter pronunciado a frase “Precisam de ajuda?”, e nao e que precisavam mesmo? Entao la andei a maior parte do tempo da cozinha para a garagem com a bandeja dos “pasteles” para a fritura. E que ainda por cima quiseram todos provar a iguaria! O mano grande tambem ficou na garagem a tomar conta do barbecue, entao gerou-se uma senhora dona fumarada com a mistura da fritura do pastel e a agravante de uma chuvita que decidiu aparecer por la. A mae americana tambem andava busy de um lado para o outro, a preparar outras iguarias de ultima hora, e a controlar a casa cheia. Alguns amigos e vizinhos tambem se juntaram, e apareceram so para a paparoca, que e como quem diz para dar mais trabalho, pois acharam a ideia dos pasteis alemaes muito interessante. O que vale e que entre o esticar a massa e o transportar a bandeja la consegui comer alguma coisita. Alguma coisita mesmo!!, porque a maioria era carne! Entao debrucei-me na salada de batata, nas batatas fritas e nas tiras de milho com um molho duvidoso – sim nao basta so a tiras de milho serem ja
As conversas foram interessantes na sua maioria. Isto quando de facto entendía o que me diziam… Nao e fácil.”Ah e tal, aprendi a falar ingles no 5º ano, e a partir dai tive sempre aulas de ingles, estou muito familiarizada com a lingua.” Ta bem ta! Experimentem la falar com os nativos para verem que nao e pera doce. Bolas! E as conversas entendem-se assim :” …. I …. udhdd ….living … uihgfmndbsd nirfbdfjnf… Canada … miuthdbfn … years … mnuysb … You …gyrbshf… enjoying…xcvebv… States?” E tipo um puzzle, e preciso e ter muita atencao as palavras escondidas, porque e nelas que residem as verdadeiras palavras, e o resto da conversa e palha … acho… Ao que se responde so aquilo que se consegue entender, que nem sempre e muito, e depois de se dar a resposta cruzam-se os dedos com esperanca de que de facto se deu a resposta certa a pergunta errada. Por vezes, a resposta nao corresponde com a pergunta. Ora bem, como sair deste tipo de situacoes? Aquí vai uma dica para se sair airosamente quando esta tudo a olhar para nos, a pensarem “a miuda tem problemas … tadita” : smiiiiiiiiile. O melhor e mesmo olharem com aquela carinha de quem nao faz mal a uma mosca, e esbocarem um sorriso suuuuuuper luminoso, para que fiquem ofuscados e se esquecam da resposta mal dada. A partir dai tem que mudar automaticamente o curso da conversa e falem de outra coisa qualquer, tipo “Olhem ali um elefante voador” – se forem americanos acreditam e olham. Ou entao fingem que ouviram alguem chamar pelo vosso nome e desaparecem, mas cuidado, nunca voltem, isso pode trazer repercusoes.
Sentei-me numa cadeira de praia dentro da garagem virada para o jardim, que tornou-se no meeting point porque estava-se agradavel e era la que estava a paparoca. E entao entre o barbecue, as frituras, e a bebida, la fiquei com as idas e vidas dos que passavam por la para explorarem mais um pouco a portuguesa, e saber se eu estava a gostar de tudo, e la continuavam a cantilena enquanto comiam e ate haviam mesmo pessoas que sabiam mesmo onde ficava Portugal. Alguns ate se emocionaram e foram-me os parabens por umas coisitas que escrevi, e que a “mom” gostou tanto e emoldurou, e andou a mostrar a alguns para lerem. Convidaram-me para as casas deles, que ao que parece sao upa upa casaroes. Contaram-me algumas historias de vidas, quiseram saber como e Portugal, quais os habitos e como se vive, como superaram fases mas e como aproveitam as fases boas, como e viver nos States, e como alguns sonham em experimentar morar noutros sitios … O mundo as vezes esta mesmo ao contrario… Ou será que nos e que estamos?...

3 comentários:
Realmente é raro encontrar alguém que nunca tenha passado por uma fase muito má e isso faz-nos pensar que são pessoas verdadeiramente felizardas. Olha, são americanos, são gordos, só comem merda e encontraram a felicidade. Hás-de aprender muito por aí. Pelo que tu contas, acho que é das experiências mais construtivas pelas quais tu passaste.
Oh é tão bonito! É essa partilha que realmente faz a vida valer a pena! E também é muito engraçado porque realmente parece que entraste numa realidade à parte. É algo que não nos é totalmente estranho, mas que só imaginamos nos livros ou no cinema ou na TV. Parece-nos impossível virmos a experimentar todas essas emoções, a beber dessa cultura americana. E quem diz americana diz francesa, russa, whatever! A questão é que estás fora do que é o TEU ambiente, és um peixinho fora de água..É tãooo liiindo!! E estou mesmo contente por poder, através de ti, contactar um pouco mais de perto com essa realidade que me diz olá cada vez que ligo a TV.
Beijo bom
It's not my favorite cake, but it's good. Dad sure loved it, though, and that's what this day was all about. :)
P.S. Do you know how much I love you? :D
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