sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Entre North Dakota e Montana

Dia 9

A partida do Minnesotta correu bem, foi facil encontrar a saida, foi so seguir as direccoes. Logo pela frescura (e eu estou a ficar uma profissional em acordar cedo) fomos tomar o pequeno almoco, porque parece que o ar do campo abre o apetite. Passamos pelo drive-thru do “Mcdoings” – nao ha muitos sitos abertos as 5 e tal da manha – e eu pedi o cafezito, que nesta zona eh tipo agua com cor, e comi uma sandocha de queijo que ja tinha trazido de casa da mom. “Quatro natas e quatro acucares….please.”Se nao pedirmos as natas e o acucar servem a agua colorida sem nada. Weeee, ja tinha o meu coffee para a viagem, weeee, e passados 10 minutos voltamos para tras porque tinham-se esquecido das natas e dos acucares.

Entramos num estado chamado North Dakota por uma ponte. “Ca fixe, mais um estado que eu vou conhecer.” Estava super empolgada por ir conhecer mais um, mas acreditem que a empolgacao nao durou muito. Imaginem uma estrada recta que parece que nunca mais acaba, e que por mais que olhem no horizonte continua sem ter fim, com paisagens tipo alentejanas mas GRANDES de um lado e do outro. What? E o estado inteiro eh assim. Bolas! Quando eh que se sai daqui? A meio caminho paramos numa terra muito interessante em que nos deram muito boas indicacoes. “Onde eh que sao os Correios?” – perguntamos no posto turístico. “Ah e tal, esta cidade nao tem propriamente um correio, mas se forem aquí ao supermercado ao lado eles tratam disso.” Hummm …”Mas precisamos de selos internacionais.” No problem, aquele supermercado parece que ate vendia tractores e roupa interior na mesma ala. “Boa tarde senhora que trabalha no supermercado, precisamos de selos para Portugal.” …… “Onde?? Aquí nao vendemos isso, tem que ser nos Correios.” ….. Agora ja ha Correios? Hocu Pocus, magia. Bom, e como eh que se vai para la? “Saem daqui viram a esquerda e depois nos semáforos a direita e depois novamente a direita.” Ok. Esquerda. Direita. Direita. Eh isto? “Certo.” Ao seguir as indicacoes apercebemo-nos de que ja estavamos fora da cidade e ainda nao tinhamos encontrado nenhum semáforo. Ao folhear o mapa da cidade nos papeis que nos deram no posto de turismo comprovamos de que os Correios existiam mesmo, so que deram-nos as indicacoes ao contrario. Era direita. Esquerda. Esquerda. Ainda bem que aquela gente conhece bem a terra onde vive...

A viagem que nunca mais acabava continuou pelos prados alentejanos. De vez em quando a estrada tinha elevacoes, wow era a loucura quando deixava de ser tao recta. A hora de almoco paramos numa cidade onde, ai sim, encontramos uns Correios como deve de ser, com indicacoes e tudo. Foi uma grande emocao. Tambem haviam pessoas e carros. A partir daqui a paisagem transformou-se e deixou de ser tao plana e passou a ter uma ligeira vegetacao. Fiquei tao contente. Gosto de um arvoredo de vez em quando. A meio da tarde fomos visitar o Fort Union que foi contruido em 1828. Eh um daqueles fortes típicos onde se trocavam peles com os indios, e tal, e mai nao sei que. Ui, trocas de peles e colares e coisas assim muito masculinas. Fomos logo recebidos a porta do forte por um senhor vestido como um americano daqueles tempos, e como os americanos gostam muito de conversar levou-nos logo para uma divisao a entrada que era o sitio das trocas. Bem, estava la uma lareirazita acesa, upa upa, mesmo a calhar. O meu lover boy ficou la dentro a destilar, que eh como quem diz, muito interessado a falar com o conterraneo. Eu, que nao sou estúpida, fui para a rua, porque os 30graus da rua nao combinavam com o calorzito humano la dentro. Ao sair deparei-me com uns coelhos bebes que andavam por la a solta, e tentei tirar-lhes umas fotos, e por detrás da casa encontramos uma doninha nas escadas de madeira que eu pensava que era um rato. A casa serve agora apenas para vender postais e revistas dedicadas ao forte, nao tinha decoracao tal como o outro forte que vi em Washington. Dentro da casa estavam duas raparigas que so depois vim a descobrir que trabalhavam ali como voluntarias … Aquela gente nao deve mesmo ter muito que fazer naquela terra.

Quando saimos do forte entramos no estado de Montana. Logo ao principio deparamo-nos com o “aparelho extractor do petróleo” a trabalhar no meio dos campos. Por entre as montanhas haviam vacas a pastar, e eu ate gostei muito daquele sitio, achei que tinha muita coisa para ver… Wrong! Quando o americano disse que iamos passar por uma reserva india fiquei logo wooow, ca fixe…. Double Wrong! A reserva india sao catrefadas de roulotes espalhadas com espaco, espaco e muitooo espaco entre elas. De vez em quando ha um aglomerado de casas, ao qual chamam cidade, com os restaurantes de fast food e bombas de gasolina. As “cidades” parecem bairros de lata porque parece que os indios nao gostam muito da organizacao ou da limpeza. A maioria, ia jurar que estavam abandonadas se nao fossem ter carros a porta.
Foi o sufoco. Passamos uma tarde a atravessar uma reserva india e uma noite a atravessar menos de metade do estado. O meu estomago ja nao estava a aceitar a fast food muito bem. De repente a visao de broculos e couves pareceu-me tao bem. Ainda bem que a estrada era uma recta, porque se fosse aos zig-zagues acho que tinha deixado o meu filete de peixe que tinha comido ao almoco na reserva dos indios. Quando paramos, ao final da tarde, para encher o deposito de gasolina, o americano meteu conversa com a rapariga que estava na caixa e perguntou-lhe o que eh que se fazia numa terra daquelas. A miuda, que devia ter uns 20 e tal anos, disse que nunca tinha saido dali, e que tinha-se casado com um colega de escola e ja tinham uma filha. E depois so encolhia os bracos quando ele lhe perguntou se ela nao tinha vontade de conhecer outras coisas fora dali. Bem, eh que o “ali” onde ela vivía nao eh como o “ali” nas nossas terras em Portugal, eh mesmo um “ali” mesmo muito longe e desterrado de tudo, aquela foi a única povoacao que encontramos depois de termos saido da reserva india ate o sitio onde fomos dormir. E fazendo as contas, da … muito tempo!!

Quando adormeci, passadas umas horas, continuava a pensar na rapariga. Como eh que eh possivel viver sem ambicoes? … Ou será que a ambicao dela era so mesmo casar e ter filhos? Pode ser. Ou nao.

2 comentários:

Neil disse...

Ola, amor! :) Com respeito a rapariga, nao penso que é que nao ten ambicoes. Creio que muitas pessoas tem ambicoes, mas nao sabem como podem realizar os seus sonhos e, depois, se acostumbram a quedarse no mesmo lugar. Nao sei. E interessante, nao?

Joy disse...

Só emoções fortes, né, Kri? Pelo menos ficaste a conhecer o sentido da vida,que é sempre em frente. Não há nada que enganar!
Pensando bem, se calhar somos todos como essa miúda. Julgamos que temos muitas ambições e todas diferentes das das outras pessoas, mas no fundo queremos todos o mesmo: ser felizes :)