sábado, 11 de outubro de 2008

Glacier Park

Dia 10

Quando acordamos tomamos o pequeno almoco numa reserva india, porque queríamos ir ao Glacier Park, e a reserva era a única populacao existente ali na zona. Bom, o que vale eh que ja me comecei a habituar a este tipo de comida logo pela manha, tambem se nao gostasse o problema seria meu, porque nestas situacoes a escolha eh: ou comes ou passas fome. E como nao me estava a apetecer comecar a dieta naquele dia la comi o pequeno almoco maravilha com os ovos mexidos e as batatas fritas. Tasty. Quem nos serviu foi precisamente uma india, e o senhor indio eh que estava na cozinha a fazer a comida cheia de “castrol”.

De barriga cheia la subimos a montanha. E subimos, subimos, e subimos ate que chegamos finalmente a area protegida do Glacier Park. Pelo caminho encontramos varios cavalos que andavam por ali a solta no meio da estrada. “Who’s gonna ride your wild horses…la la?” Pelos vistos ninguem, porque os cavalitos sao mesmo wild, nunca tinha visto nada assim, eles andavam a beira da estrada e atravessavam calmamente de um lado para o outro, nos eh que estavamos ali a mais.
Estava um friozito, upa upa, puxadote, mas mesmo assim andamos constantemente a entrar e a sair do carro, porque havia tanto para ver que nem consigo descrever. Desde cataratas, a lagos, a trilhos, ribeiros, vales, tudo valia a pena para se fazer uma paragem, e esquecam la o frio. Andamos numa parte do parque de manha, e quando pensei que ja tinhamos visto tudo, apercebi-me de que tinhamos que dar a volta ao parque (quer dizer, montanha), para ir ter ao outro lado, porque a estrada de ligacao mais perto estava fechada. Aahh ta bem, o que vale eh que eh a mesma montanha… Demoramos duas horas de carro ate chegar ao outro lado do “parque”. Booolas!! Parque?? Na minha terra os parques ficam perto de casa, tem relvado, uns bancos e umas cenas para os putos brincarem…

O outro lado do parque tambem tinha a sua beleza. Era um lago, cercado com algumas cabanas para alugar, aquela zona era um pouco mais comercial do que a anterior. O lago era grande, e ao fundo via-se as montanhas com os glaciares, tipo postal. Depois do passeio ali pela zona fomos visitar uns trilhos. Andamos a pe por entre a florestazita (que tem sempre um rio e uma catarata em cada esquina), e esta com a particularidade do aviso : cuidado com os ursos…. Aiiiiii maezinhaaa. Ursos?? Quais ursos? No meu país os sinais sao : cuidado com o cao. Agora ursos? Depois do sinal passei a sentir-me seguida dentro da floresta, e cada barulho que ouvia para mim era um urso. Entao mas nao era suposto aquela zona estar protegida, mas tipo protegida para os seres humanos?? Depois vimos uns quantos casais que andavam pelos trilhos com uns paus tipo bengalas com guizos. “Entao e isso eh para que?”. “Eh para espantar os ursos”. Yaakkssss. Perdi logo a vontade do contacto com a natureza, mas ainda fomos ver umas cataratas. “Ah sim, giro, muito giro. E onde eh a saida mesmo?”

Gostei muito mais da paisagem da saida do Montana do que da entrada. Se eu tinha pensado ao principio da viagem que o North Dakota era boooring, mudei de ideias quando passei mais de 24h em Montana, e principalmente porque a única paisagem possivel foi precisamente o Glacier Park ja no fim do estado. Estava eu ja a deitar o raio daquele estado pelos olhinhos quando o americano descobriu a caminho da saida outras cataratas. Ohhhhh, o espanto. Pronto e la tivemos que as ir visitar. Por acaso valeram a pena, foram as mais espacosas de todas as que vimos, porque em vez de cairem de uma montanha ou rocha, estas caiam directamente do rio. Tambem haviam tabuletas a avisar que se virassemos a esquerda iamos ter a uma “rocking bridge”. Eh pa, fiquei curiosa, bora la ver. Ainda andamos um bocado, entao quando la cheguei quis logo por o pe na ponte que dancava….Aaaaaahhhh quero sair daquiiiiiiiii!!! Ainda andei em cima da ponte, mas nao muito confesso, porque aquela sensacao de por o pe nas tabuas bamboleantes com um rio debaixo de mim, nao eh sinceramente a nocao que tenho de conforto. Quando sai reparei na placa ao lado da ponte, que dizia que o limite naquela ponte maravilha era de 5 pessoas de cada vez… Ainda bem que nao fui com nenhum grupo grande, senao tinha ido ver os salmoes e as pedrinhas do rio mais de perto.
Fiquei muito contente quando saimos do Montana e entramos em Idaho. E fiquei muito mais contente, porque este estado so demorou duas horas a atravessar. O único contacto que tive neste estado foi quando fui verter aguas a uma estacao de servico. O que tambem foi muito interessante, porque quando entrei na casa de banho, dentro do estabelecimento, que pelos vistos era mista, deparei-me com um ser humano la dentro, que ate era uma criancinha do sexo masculino. A porta nao tinha trinco. E a casa de banho nao tinha daquelas entradas com lavatorio, era tipo um barracao que abria-se a porta e pronto, estava tudo la dentro. Assustei o puto, pois claro, o que vale eh que ele ja tinha feito o que tinha la ido fazer. E foi este o meu encontro em Idaho.
Gostei muito mais nessa noite quando entramos no estado de Washington. Significou que estavamos cada vez mais perto de casa.

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